Escola Eugenia Anna dos Santos: Comunidade ILÊ AXÉ OPO AFONJA.
O brado é por políticas públicas
que façam valer a Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08. O Estado, através
das Diretrizes Curriculares para Educação das Relações Étnico Raciais e para o
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, deve assegurar aos
afrodescendente e indígenas a reparação de danos psicológicos, materiais,
sociais, políticos e educacionais sofridos com o regime escravista.
Deste que a lei foi assinada uma
pergunta se ouve repetidamente. E agora como vamos fazer? Cadê o material
didático? Como vamos fazer na sala de aula? Esta pode ser uma resposta
provisória, mas fazemos nossas as palavras de Antonio Machado: “Caminhante não
há caminho, o caminho faz-se ao andar”. O caminho se faz também ao andar fora
da sala de aula. Temos reparado que as crianças e adolescentes fazem com muito
gosto as chamadas atividades extra classe. Não há segredo: A vida corre solta
fora dos muros da escola. Lá fora o que se aprende é pelo prazer de aprender. Olha-se
um mundo que transcende às meias verdades aprisionadas em folhas de papel. É
preciso ir bem mais além das grades curriculares, e dos fechamentos nas salas
de aula.
É preciso ir ao encontro da
comunidade para o desvelamento de aprendizagens que significam como vivências
pedagógicas transformadoras. Em todos os nossos bairros existe a presença da
alma africana e indígena. É possível estudar o que se passa nas feiras, nas
festas comunitárias e as manifestações culturais do lugar. O cotidiano e seus
acontecimentos retratam o jeito da comunidade, que se mostra encharcada pela
ancestralidade negra e indígena contando e cantando historias do lugar. Decerto
que nada acontecerá sem perder de vista os movimentos sociais na busca de outra
epistemologia para educação. O que seria esta outra epistemologia ou este outro
paradigma para a educação na contemporaneidade? O que seria educar pela cultura
e solidariedade? Parece que neste ponto é que reside a possibilidade de
construir-se colaborativamente uma educação viva. A ideia, portanto é a
construção de conhecimentos juntando-se sabedorias às nossas experiências
cognitivas. Esta é uma utopia realizável.
Vanda Machado
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