IANSÃ e a Democracia
Ossain é o orixá das folhas. Em tempos bem remotos, somente este orixá tinha o poder e o conhecimento das folhas. Somente este orixá sabia qual a folha que cura cada um dos males que afligem as pessoas. Fossem os males físicos, emocionais ou espirituais.
Para preservar este segredo, Ossain providenciou uma grande cabaça, encheu-a com todas as qualidades de folhas que havia no mundo. Depois procurou uma árvore bem grande e lá, no galho mais alto, pendurou o segredo que ficava vigiando dia e noite, noite e dia. Ele ficava vigiando e saudando. Ewê ô, Ewê ô (ó minhas folhas!).
Cada vez que um orixá precisava de alguma folha para ajudar os homens a manter sua vida ou sua saúde, tinha que pedir a Ossain. Ele fazia sempre algumas exigências. Não atendia ninguém à tarde. À noite só se fosse com
muita necessidade. Assim, se alguém chegasse fora de hora, ele já ia falando: — Folha a esta hora? De que serve eu tirar folha a esta hora? Esta folha está cansada, empoeirada. A folha é viva. Quando amanhece o dia, bem cedinho, ela está banhada pelo orvalho. Assim que o sol começa a jogar sua luz na terra, tudo se transforma em nova vida. E cada folha estará respirando a força do novo dia.
muita necessidade. Assim, se alguém chegasse fora de hora, ele já ia falando: — Folha a esta hora? De que serve eu tirar folha a esta hora? Esta folha está cansada, empoeirada. A folha é viva. Quando amanhece o dia, bem cedinho, ela está banhada pelo orvalho. Assim que o sol começa a jogar sua luz na terra, tudo se transforma em nova vida. E cada folha estará respirando a força do novo dia.
Tudo parecia bem. Mas, um dia, os outros orixás começaram a refletir: — Por que este poder centralizado só em Ossain? Não seria este conhecimento direito de todos que prestam serviço para a vida? Vamos fazer um encontro para discutir o assunto.
Reuniram-se, conversaram, conversaram..., foram convencer Ossain..., e nada.
Ele resistia e os outros orixás persistiam. Nova reunião foi marcada, desta vez com a liderança de Iansã.
Iansã marcou a hora. Todos deviam estar presentes. Ninguém podia faltar.
Assim foi feito. Chagada a hora, ela que tem a força dos ventos, ficou bem embaixo da árvore do segredo. E todos ficaram também ali, bem juntos.
Nesse momento, Iansã começou a girar. Ela foi girando mais forte. Girou..., girou..., girou muito. Girou de um jeito que toda a natureza foi se transformando. Até as águas se encresparam com a força do vento. Todas as árvores começaram a fazer um movimento muito forte. Balançavam muito. A cabaça do segredo começou a sacudir muito. Debatendo-se contra o vento e a árvore, terminou por partir ao meio... e todas as folhas foram caindo enquanto cada orixá foi pegando a sua folha.
Quando Ossain viu todas as folhas espalhadas pelo chão, começou a correr de um lado para o outro gritando sempre: ewê ô, ewê ô.
E foi assim que todos conseguiram o que tinham direito e nem por isso Ossain ficou menos importante. Ele é a própria folha.
Finalmente Iansã feliz com o que conseguiu, saiu cantando e dançando pelos caminhos do mundo, levando novos ventos e cantando sempre:
Okan mimo eru erê
Okan mimo eru erê
Alagba e lê mesan
Okan mimo eru erê
Ire Ayó
Mitos Afro-brasileiros
Carlos Petrovich & Vanda Machado
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